"O abraço é uma forma de juntar dois corações, de colocá-los frente a frente, de expor puríssimas emoções""Se canções fossem falas em uma conversa, tudo estaria bem" Nick DrakeOuvem-se sequências de teclados sampleados de forma frenética, vindas de um sintetizador que aos poucos vai prendendo a atenção de quem escuta a espera de uma nova variação melódica. Mesmo sob um conceito inicialmente experimental, logo nota-se um sentimento agridoce permeando toda melodia e prosseguindo na canção até o fim. A partir daí, a introdução feita por Townshend inspirada no compositor minimalista Terry Riley extende-se até ser encoberta pelo toque de um gentil piano, seguida pela batida de Keith Moon e John Entwistle moldando e dando sentido ao ritmo da introdução. Opondo-se ao conceito experimental do início, a letra narra uma história de uma família camponesa comandada por Ray que junto a esposa Sally e filhos partem de sua terra em direção à Londres, na ânsia de melhores expectativas: "Out here in the fields/ I FARM for my meals/I get my back into my living./I don't need to fight/To prove I'm right/I don't need to be forgiven./yeah,yeah,yeah,yeah,yeah". Roger Daltrey abre a canção em voz alta, carregado de coragem e emoção incorporando Ray e comandando as estrofes fazendo toda a banda seguí-lo. Aqui ele mostra todo seu potencial absoluto como vocalista, tão ofuscado até então e que iria progredir cada vez mais, despertando uma saudável rivalidade entre ele e Townshend. É nesse momento que na canção instala-se um duelo entre os dois: "Don't cry/ Don't raise your eye/ It's only teenage wasteland", complementa Townshend em vocal emocionado do outro lado. Então Daltrey completa: "Sally, take my hand/ We'll travel south cross land/ Put out the fire/ And don't look past my shoulder./ The exodus is here/ The happy ones are near/ Let's get together/ Before we get much older." Percebe-se então a complexidade que a música aos poucos toma, do título (o nome "Baba" em homenagem a Meher Baba, mestre/conselheiro indiano de Townshend) ao seu instrumental (Rilley fazendo referência a compositor Terry Rilley, cujo o guitarrista buscou referência em sua obra para criar a abstrata introdução). Assim como o principal atributo (e qualidade) do The Who, a canção segue para o imprevisível: após o solo de Townshend, violinos e percussões frenéticas entram em ação levando a música até o final. Recorda-se rapidamente ao início abstrato porém agora representado como se fosse um doce trecho de alguma cantiga folk irlandesa, combinada ao virtuose do Rock de Arena em que a música torna-se quando executada em palco, com Daltrey tocando gaita e Townshend a pandeirola. Integrante do álbum "Who's Next" (1971), são essas características que fazem Baba o'Rilley uma canção de valor criativo e artístico dentro da história do Rock. Vinda de uma banda cujo seu inconformismo aliado ao desconforto de ser única, lhe fez fundamental diante de todas as outras de sua época. E a canção, como todas as outras que escondem genialidade em seus detalhes, ganhou vida própria e hoje embala memórias e sensações que assim como sua complexidade, vão e voltam infinitamente.
"Out here in the fields
I FARM for my meals
I get my back into my living.
I don't need to fight
To prove I'm right
I don't need to be forgiven.
yeah,yeah,yeah,yeah,yeah
Don't cry
Don't raise your eye
It's only teenage wasteland
Sally, take my hand
We'll travel south cross land
Put out the fire
And don't look past my shoulder.
The exodus is here
The happy ones are near
Let's get together
Before we get much older.
Teenage wasteland
It's only teenage wasteland.
Teenage wasteland
Oh, yeah
Teenage wasteland
They're all wasted!"